Açoriano na prova rainha do TT português

Foto: Fernando Castanho / www.abtfoto.com
No passado fim-de-semana, e perante as sempre presentes dificuldades da Baja Portalegre 500, o micaelense Abel Carreiro cumpriu nova participação no certame, agora organizado pelo ACP-Sport – depois de quase duas décadas em que o Clube Aventura de José Megre foi tutor da função…-, com o micaelense a referir que “era, de facto, uma prova que eu queria repetir, depois de uma primeira participação há 15 anos”, explicou.
Mais conhecido pelas suas façanhas nos ralis, onde chegou a disputar até ao final a supremacia do Troféu Saxo Cup em 2003 (Nacional de Ralis), para além de actuações fogosas no panorama regional, Abel tinha desta feita o objectivo “Portalegre”, aos comandos de uma KTM EXC 450, para cumprir, com o piloto a explicar que “sabia mais ou menos ao que ia, embora a prova seja agora mais curta (360 kms) do que antigamente (470 Kms), até porque me sentia razoavelmente bem em termos físicos, fruto dos habituais passeios de mota ao domingo de manhã…e da prática semanal de natação”, pelo que a “empreitada” tinha pernas…e braços para andar.
“Depois de um prólogo em que não forcei absolutamente nada o andamento (foi 54º entre os 73 concorrentes iniciais), para não partir mais à frente do que seria depois o meu andamento “normal”, arranquei tranquilo e lá fui passando alguns companheiros de corrida….aí uns 6 ou 7”, diz Abel Carreiro sobre o início da corrida.
“O pior foi após a segunda zona de assistência (ZA2), com cerca de 170 kms percorridos”, afirma, “quando um rolamento da roda de trás se desfez, e tive de fazer cerca de 110 kms com a roda de trás a querer ganhar vida própria, sendo que perdi naturalmente muito tempo…e não evitei duas quedas”, lamenta.
Passada essa “que foi a parte pior” da prova, pois Abel Carreiro refere ter sido “apanhado pelos primeiros Quads, que levantavam uma poeira incrível, o que me obrigava a parar, sob pena de me matar sem ver a estrada, e salientando que “foi fisicamente esgotante, já que a mota não andava um metro a direito”, o piloto chegou à ZA3, “onde a assistência do Bianchi Prata trocou a roda de trás – que a minha fiel escudeira Sandra (a esposa do motard…) transportou sempre para todas as ZA’s – e tudo voltou à normalidade”, referiu.
Assim, “e passados cerca de 30 kms, senti as forças a voltarem, retomei o meu ritmo normal, e voltei a ultrapassar aqueles que entretanto tinham passado por mim”, diz com satisfação, acrescentando que “estava a sentir-me tão bem que, pelas minhas contas – que depois percebi estavam erradas -, e quando faltariam cerca de 30 kms para o fim, resolvi fazer um forcing no andamento, para ver se recuperava tempo….ultrapassei mais 3 motas…e, quando pensei estar perto do final, vi um painel a anunciar 20 kms para a meta…nem queria acreditar”, desabafa, explicando que “depois de um hipotético sprint final, estava esgotado….e ainda faltavam mais 20 Kms. A solução foi respirar fundo e continuar em ritmo mais moderado”, diz Abel Carreiro, que terminou em 43º, entre os 62 sobreviventes das duas rodas, com um tempo de prova de cinco horas, 49 minutos e 26 segundos. O piloto micaelense não descarta nova presença em Portalegre, dizendo que, “se calhar, para o ano há mais”, concluiu.
A edição 2009 da Baja Portalegre 500 foi ganha, na categoria de motos, pelo credenciado Mário Patrão, em Suzuki, tendo, na categoria de automóveis, o triunfo sido assegurado pela dupla Filipe Campos/Jaime Baptista, em BMW X3, que assim garantiram o seu terceiro título nacional de todo-o-terreno. Nos quads o melhor foi Humberto Pinto (Suzuki), e nos buggys a vitória coube a Jorge Monteiro (Polaris).




